O que mais incomoda é esse teu jeito solto, mas eu gosto, o que é irônico, porque minha vida tende a declinar quando te tenho por perto. Eu não encontro meu ponto de equilíbrio quando estou contigo. Você me devora e rasga minhas palavras, eu fico sem ação e perco a noção do tempo. O mais confuso de tudo é que eu continuo gostando. Estando separados, podemos erguer qualquer monumento, mas juntos só conseguimos fazer com que as coisas ao nosso redor desmorone. E eu não me vejo abrindo mão disso. Não somos aquarela nem poesia, somos uma música que um morador de rua bêbado inventou. Não é bonito? Somos a junção de todas as coisas improváveis. E o “tudo” só nos cabe quando estamos juntos. Acho bonita essa tua libertinagem de garoto, esse seu modo de viver ao avesso e até sua poesia cega, mas não suporto ficar sem teu pé frio embaixo da coberta.
Sinto o pesar nos ombros só de pensar em não vê-lo mais daqui a uma semana, um mês, uma eternidade. Porque é bom demais ser do tamanho dos teus braços fechados, sentir teu corpo envolto ao meu e saber que formamos um encaixe bonito, apesar de não sermos o “ideal”. Acho aceitável ficar na ponta dos pés para te abraçar, e te dar um beijo, gosto do teu corpo esguio. Gosto do contraste que fazemos. De toda a ironia que há em sua risada.
Somos esse turbilhão de cacos que não se visualiza, mas que machuca com facilidade. E os que sempre saem prejudicados somos nós mesmos, mas o que facilita é que sempre afagaremos o cabelo um do outro. Somos cientes de toda a confusão que causamos, mas o amor não é uma equação exata, engana-se quem assim o definir.