domingo, 25 de dezembro de 2011
"Choro egoísta. Alma cansada. Pés doloridos. Sorriso que escapa disfarçando a lágrima discreta que escorre de um dos olhos, molhando a minha alma que observa tudo de longe. Não digo. Não falo. Finjo que sou como eles, que nada percebem, que nada sentem. Mas lhe entendo, lhe entendo porque também tenho os meus sorrisos que disfarçam lágrimas, lhe entendo pois já há tempos minhas estrelas deixaram de ter múltiplas cores, tornando-se cinzas. Meu choro é sincero e tão egoísta quanto o seu. Nessas horas esqueço do mundo e choro. E ninguém é capaz de perceber. Mas não sou como você, que anuncia a tristeza a todos os cantos, que grita sobre a dor querendo um pouco de atenção. Eu me calo e espero que passe. De que adianta gritar nos ouvidos de quem não se importa? De que adianta falar sobre a dor que se sente, quando os outros tão egoístas quanto eu estão se preocupando com as suas próprias dores? Sento e escuto, quando me procuram. Sento e escrevo. E então você sente ciúmes e fala sobre besteiras. Prefiro não escutar, consolando as outras pessoas. Sei que sou egoísta por ainda chorar, enquanto outros enfrentam suas dificuldades com um sorriso enorme no rosto, mas não anuncio. Só espero e ajudo, limpando as lágrimas que caem das outras faces, segurando os dedos quase podres que se esticam procurando por um consolo. Consolo e espero. Nada anuncio. Continuo sorrindo enquanto a lágrima solitária escapa do meu olho direito, e quando ninguém percebe, fico feliz por isso. Não quero pena, quero ajuda. Quero consolo que não encontro nos teus olhos, e muito menos no céu cheio de estrelas cinzas. É por isso que consolo a outras pessoas, que permitem que eu as ajude. E espero. Sorrindo."
