sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


Existe um céu por trás dos livros, um sorriso acompanhado da esperança atrás das lágrimas, uma mão erguida a cada tropeço. Existe um amor escondido nas amizades antigas, e até mesmo inteligência escondida na incapacidade. Um arco-íris no preto e branco, ou até mesmo a tal luz no fim do túnel, sempre tão desejada. Gosto de pensar na completude que existe em algum lugar escondido no vazio, no sonho incrustado na dura realidade. Nos animais fofos escondidos nas feras selvagens. No dar de mãos escondido nos tapas. Assim, de um jeito bem simples, prefiro revirar tudo e encontrar as coisas boas escondidas nas ruins. Todo mundo, enfim, é capaz de se superar, de vencer, de encontrar, de achar, de preencher, de se bastar. Todo mundo é capaz de amar. Tem amor na frieza, menino, tem sorriso perdido até naquele desespero incontido, tem livro e ensinamento nos rabiscos nas carteiras sujas de gente que ainda nem aprendeu o mais difícil da matemática, mas de algum jeito sabe ser delinquente. Penso assim sempre. Ou então eu choro. Senão tropeço, desisto, senão eu fico vazia. Senão eu morro. Mas pensando por esse lado, menino, até que isso tudo nem é assim tão ruim. Porque tem até sorriso no choro, seguimento no tropeço, esperança na desistência, preenchimento no vazio. E até na morte tem vida.