
É que uma vez me disseram pra não andar olhando pro chão, porque minha coluna podia acabar ficando torta. Mas, no dia seguinte, disseram pra não levantar tanto os olhos, esquecendo de todo o resto - ou eu poderia viver pisando em buracos e caindo pelas ruas. Me perguntei, então, qual dos dois seria pior. E uma voz baixinha fez questão de me responder: “Oras, isso é óbvio. O certo é sempre misturar a ambos. É como na prática, em questões mais sérias do que dor nas costas ou sangue no joelho. É preciso simplesmente reconhecer seus acertos. Sem falsas modéstias. Mas você também não precisa se tornar uma idiota, chegar ao ponto de achar-se melhor do que os outros. Reconheça e aceite as coisas em que é boa. Mas não esqueça nunca de que existem outras milhares delas em que você é péssima.” Desse dia em diante, ando olhando para o alto, mas deixando que meus olhos caiam constantemente para o chão - para conferir se há mesmo algum buraco, alguma armadilha. E na vida, ando reconhecendo meus talentos - mas sem me esquecer, é claro, daquela minha nota vermelha em Matemática.