domingo, 11 de setembro de 2011


“Nem sempre as coisas acontecem do jeito certo. Você precisa se acostumar com isso.” Ele lhe dizia, olhando dentro daqueles olhos inocentes e pegando em tufos aqueles cabelos castanhos e volumosos. “Eu gosto muito de te tratar assim, menina, como se o mundo fosse belo e como se toda a sua fragilidade e suavidade fossem completamente benéficas. Porém, nem tudo acontece dessa forma. Se eu pudesse, menina, se eu pudesse mesmo, eu te pegaria em meus braços, te seguraria pela cintura, te levaria ao céu e lá construiria a nossa morada. Mas não é assim, a vida. A vida é uma droga, e dói. E a gente sofre. E quanto mais inocente a gente é, piores são as coisas. Mais a gente sofre, sabe?” Ele questionou, ainda perdendo-se na imensidão daqueles olhos. “Sabe, eu gosto tanto desse seu jeitinho bobo. É tão fofo, tão lindo. Mas uma hora a gente é obrigado a crescer.” E ela ouvia, ouvia, ouvia. Decorava e era capaz de ouvir aquela voz por conta própria, pela noite inteira. “Eu amo tudo em você, menino. Essa sua maneira tão sábia de lidar com qualquer assunto. Esse seu sorriso de gente madura. E só você, só você tem esse sorriso de gente madura. Só você consegue me dizer tanto com tão pouco. Só você consegue ser assim, tão distante, tão livre, tão solitário, mas tão meu. E sei lá. Tá vendo? Eu fico muito mais boba do seu lado. Eu preciso demais de você, aqui, pra olhar nesses meus olhos tristes com essa sua carinha de apaixonado. Eu amo essa sua carinha também, sabe? Mais do que tudo nesse mundo.” Ela riu, beijando-lhe as pálpebras que agora se fechavam, como que se pudessem ouvi-la declarando-lhe todo o amor que sentia. Ela fazia com que suas pálpebras ouvissem. Transformava o impossível em comum. E ele adorava isso nela. E adorava qualquer coisa naquela menina. E sorria, sorria daquele jeito maduro e tão dele. Mas tão dela. “Eu amo essa sua ingenuidade, suas bobeiras, seu jeito manso de falar, seu jeito bonito de andar rebolando. Eu te amo por inteira. Tão bobo, tão simples. Mas eu te amo assim mesmo. Que droga. Você me torna piegas. E quase tão ingênuo quanto você. Não resisto à esse seu charme.” E ela concordou, ainda rindo, sedutora, tomando-lhe os lábios com uma sede que não cessava. E uma vozinha baixinha ainda ecoava-lhe na mente, em resposta à observação dele. “É…. o amor costuma fazer isso com as pessoas.”